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MUNDO

Malvinas: governo local pede punição da Fifa à Argentina

Assembleia Legislativa das Ilhas Falkland afirma que política não tem lugar no esporte e pede que entidade aplique regras contra seleção argentina
Argentinos comemoram com uma faixa relacionada às Ilhas Malvinas após partida contra Inglaterra | REUTERS/Amanda Perobelli

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A Assembleia Legislativa das Ilhas Falkland – nome usado pelo Reino Unido para o arquipélago conhecido na Argentina como Ilhas Malvinas – enviou uma carta à Fifa pedindo que a entidade aplique suas regras após jogadores exibirem uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas”. A manifestação ocorreu na quarta-feira (15), durante a comemoração da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo de 2026.

Em publicação nas redes sociais, o governo local afirmou que “a política não tem lugar no esporte” e pediu que a Fifa trate do episódio com seu próprio regulamento.

“A política não tem lugar no esporte – pedimos à Fifa que aplique suas próprias regras de forma consistente”, diz a mensagem divulgada pela Assembleia Legislativa.

Na carta enviada à entidade, o presidente da Assembleia Legislativa Iocal, Jack Ford, afirma que a faixa exibida pelos jogadores argentinos representou “uma clara manifestação política” sobre a disputa de soberania do arquipélago.

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Segundo a Assembleia, o episódio viola dispositivos do Código Disciplinar da Fifa e do Código de Conduta nos Estádios, que proíbem o uso de partidas e instalações esportivas para manifestações políticas, religiosas ou pessoais.

No documento, Ford também defende a posição dos moradores do arquipélago sobre a disputa territorial. Segundo ele, 99,8% dos eleitores votaram pela permanência como território ultramarino britânico em um referendo realizado em 2013, acompanhado por observadores internacionais.

Ao final, a Assembleia afirma apoiar a posição do governo britânico de que “a política deve ficar fora do futebol”, em referência às declarações do ministro de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle.

Fifa ainda analisa o caso

A manifestação ocorre enquanto a Fifa avalia se abrirá um procedimento disciplinar contra a seleção argentina. Em nota enviada ao SBT News, a entidade informou que o Comitê Disciplinar analisa os relatórios oficiais da partida antes de decidir se haverá medidas adicionais.

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“Como é procedimento padrão, o Comitê Disciplinar independente da Fifa está atualmente avaliando os relatórios da partida e considerando as circunstâncias relevantes antes de decidir sobre possíveis medidas adicionais com base no Código Disciplinar da FIFA.”

As regras do futebol internacional proíbem a exibição de mensagens, símbolos ou faixas de natureza política. Tanto as Regras do Jogo, elaboradas pela International Football Association Board (IFAB), quanto o Código de Conduta nos Estádios da Fifa estabelecem que jogadores e seleções podem ser punidos caso promovam manifestações desse tipo durante uma competição oficial.

Na prática, a entidade deverá avaliar se a faixa exibida pelos jogadores argentinos caracteriza uma manifestação política. Caso conclua que houve violação das normas, poderá abrir um processo disciplinar.

As sanções variam conforme a gravidade do caso e podem incluir advertências, multas e outras medidas disciplinares. Não há um prazo definido para que a Fifa anuncie uma decisão.

“Las Malvinas son argentinas”

Logo após a classificação para a final da Copa do Mundo, jogadores argentinos apareceram no gramado, em Atlanta, segurando uma faixa com a frase “Las Malvinas son argentinas” (“As Malvinas são argentinas”, em português). Entre os atletas, estavam Lisandro Martínez, Giovani Lo Celso e Nicolás Otamendi.

Lisandro Martínez e Giovani Lo Celso, da Argentina, comemoram com faixa “Las Malvinas son argentinas” | REUTERS/Amanda Perobelli

A mensagem faz referência à histórica disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas – chamadas de Falkland Islands pelos britânicos. O arquipélago é administrado pelo Reino Unido desde 1833, mas continua sendo reivindicado pelo governo argentino.

O tema é especialmente sensível devido à Guerra das Malvinas, travada em 1982, que terminou com a vitória britânica e deixou mais de 900 mortos, entre militares argentinos e britânicos.

Antes da semifinal, a Fifa havia proibido a entrada de bandeiras, faixas e outros materiais relacionados ao conflito justamente para evitar manifestações políticas durante a partida.

Fonte: SBT News

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