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ECONOMIA

Indústria brasileira desacelera e recua mais que o previsto

Produção industrial no Brasil cai em declínio maior do que o esperado, após crescimento no primeiro trimestre do ano
Produção Industrial Fábrica de carros em MG | Reprodução\REUTERS/Washington Alves

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Após um período de crescimento nos primeiros meses do ano, a indústria brasileira registrou em junho retração maior do que o esperado, levando ao encerramento do segundo trimestre com o segundo mês consecutivo de perdas.

Em junho, a produção teve queda de 1,8% em relação a maio. Os dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, na comparação com o mesmo período do ano passado, houve alta de 1,7% na produção. O setor industrial brasileiro encerra o segundo trimestre com ganho de 0,3% sobre os três meses anteriores, mostrando desaceleração.

“O que pode se dizer é que há uma interrupção da trajetória ascendente da indústria. Há uma menor intensidade do setor industrial com espalhamento da queda”, avaliou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.

“Temos aqueles fatores negativos de pé, como política monetária e inadimplência afetando o poder de consumo. Há também paralisações em plantas industriais, talvez numa tentativa de ajuste à demanda menor. Há uma clara redução de ritmo da indústria”, completou.

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Analistas dizem que o setor mostra desaceleração sob os impactos da política monetária restritiva, com a taxa Selic em patamar elevado –atualmente em 14,25%. O Banco Central anuncia na quarta-feira (5) sua decisão de política monetária, com expectativas de corte de 0,25 ponto percentual nos juros.

“Esperamos novo corte de 25 pontos base amanhã e em todas as reuniões restantes desse ano, levando a Selic a 13,25% ao final de 2026”, disse o economista André Valério.

Em junho, a principal influência negativa foi da produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com recuo de 5,9%. O grupo marcou o segundo mês seguido de queda na produção, acumulando no período perda de 11,8%.

“Esse segmento cresceu 16,5% em quatro meses e agora as duas quedas eliminam parte dessa alta, mas ainda está positivo”, disse Macedo. Segundo ele, as quedas ocorreram em álcool, gasolina e diesel, destacando que o processamento de cana-de-açúcar cai em maio e junho por conta de mais chuva.

Outros fatores que pesaram de forma negativa foram: produtos químicos (-4,3%), produtos alimentícios (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,0%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%).

Fonte: SBT News

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